Charles Babbage: quem foi o engenheiro “pai do computador”


Além de funcionários brasileiros do programa Mais Médicos, o Departamento de Estado dos Estados Unidos cancelou vistos de funcionários de governos africanos, granadino e cubano, juntamente com seus familiares, que estão envolvidos em programas de cooperação na área médica com Cuba. A decisão, anunciada recentemente, visa asfixiar economicamente Cuba, bloqueando uma de suas principais fontes de recursos: a exportação de serviços médicos. Para o analista de geopolítica Hugo Albuquerque, essa manobra representa uma provocação do governo Trump, com o intuito de aumentar o isolamento de Cuba e buscar uma “mudança de governo” no Brasil. A medida também foi amplamente criticada por líderes caribenhos que condenam a pressão do governo dos EUA sobre suas parcerias médicas com Cuba.
Ação contra Cuba
Desde fevereiro deste ano, os EUA têm ameaçado países que cooperam com Cuba na área médica, um setor essencial que, em 2019, representou 46% das exportações cubanas e 6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo do sociólogo Samuel Farber. Cuba mantém atualmente 24 mil médicos em 56 países, refletindo a importância desta cooperação para a economia da ilha, que é afetada por um bloqueio econômico imposto pelos EUA há mais de 60 anos, visando a mudança de regime político após a Revolução de 1959. Essa política é desaprovada por muitos países, que a consideram uma violação dos direitos internacionais.
Cuba tem operado com programas de cooperação médica desde a década de 1960, enviando médicos a 165 nações. A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e outros líderes da região, como o primeiro-ministro de Trinidade e Tobago, Keith Rowley, têm defendido firmemente esses acordos. Mottley apontou a essencialidade dos médicos cubanos na superação da pandemia de Covid-19, enquanto Rowley rejeitou as acusações de tráfico de pessoas, enfatizando a equidade no pagamento aos profissionais cubanos.
Declarações de líderes cubanos
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, critiqueou as ações dos EUA, reiterando que a cooperação médica é uma fonte legitima de receita, baseada nas capacidades criadas pelo país e nas necessidades de nações que solicitam assistência. Ele destacou que muitas brigadas médicas operam gratuitamente, ressaltando a ética por trás da ajuda internacional prestada por Cuba.
Impacto nas relações Brasil-EUA
Para especialistas, o cancelamento de vistos de funcionários brasileiros ligados ao Mais Médicos é um reflexo da escalada de tensão nas relações entre Brasil e EUA. Hugo Albuquerque observa que o governo de Trump tem tentado aumentar a pressão sobre o Brasil, que se afasta da influência estadunidense em meio à guerra comercial com a China. Ele sugere que essa é uma estratégia para limitar a autonomia do Brasil sem oferecer contrapartidas.
Sobre o programa Mais Médicos
O programa Mais Médicos, que entre 2013 e 2018 empregou até 11 mil médicos cubanos, continua a ser uma iniciativa altamente avaliada, levando serviços de saúde a mais de 4 mil municípios brasileiros e beneficiando mais de 66,6 milhões de pessoas desde sua criação. Atualmente, cerca de 2,6 mil cubanos ainda atuam nas equipes de saúde, embora haja uma mudança na forma de contratação, que agora é feita por meio de editais abertos.







