A importância da proteção das árvores gigantes da Amazônia no Brasil
Angelim-vermelho na Floresta Estadual do Paru, no Pará — Foto: Agência Pará/Divulgação
Meio Ambiente

A importância da proteção das árvores gigantes da Amazônia no Brasil

Importância ecológica e desafios para a conservação das altíssimas espécies amazônicas no Brasil
5 setembro 2025  ∗  Redação

Uma enorme capacidade de capturar gás carbônico (CO₂), um papel vital na distribuição das chuvas no Brasil e a atribuição de preservar a história e os ciclos da Amazônia são algumas das contribuições das árvores gigantes do Norte do Brasil, com destaque para o angelim-vermelho (Dinizia excelsa). Nesta sexta-feira (5), Dia da Amazônia, especialistas ressaltam a importância de proteger essas espécies que podem atingir mais de 80 metros de altura. Essas impressionantes árvores foram evidenciadas pela ciência, com a descoberta de exemplares altos, como um angelim-vermelho de 88,5 metros encontrado em 2022 no município de Almeirim, no Pará, que se tornou o maior exemplar do Brasil. Ao todo, 20 árvores com mais de 70 metros foram localizadas nas proximidades do Rio Jari, na divisa do Pará e Amapá, levando a estudos que buscam compreender seu crescimento e impacto ambiental.

Estudos

A pesquisa sobre o angelim-vermelho revela que essas árvores são praticamente o dobro da altura média das espécies da Amazônia, que normalmente variam entre 40 e 50 metros, e isso as torna importantes para a absorção de carbono, contribuindo significativamente para a regulação climática. Diego Armando Silva, pesquisador do Instituto Federal do Amapá (IFAP), explica que “essas árvores apresentam praticamente o dobro de tamanho das alturas médias das espécies amazônicas, que ficam em torno de 40 a 50 metros”.

As estimativas indicam que um único angelim-vermelho pode representar cerca de 80% da biomassa em uma área de aproximadamente um hectare e, portanto, poderia absorver uma grande parte do CO₂ naquela área, embora ainda sejam necessárias pesquisas adicionais para entender outros aspectos, como a emissão de gases e a captação de água na atmosfera. Silva menciona que, com base em estudos prévios de datação, estimou-se que esses exemplares têm entre 400 e 500 anos.

Ameaça

Apesar de sua relevância, essas árvores gigantes enfrentam ameaças, pois não estão todas em áreas protegidas, com algumas localizadas em regiões com diferentes graus de conservação. Enquanto a maior árvore do Brasil está no Pará, a segunda maior, com 85,4 metros de altura, encontra-se em Laranjal do Jari, no Amapá. Ângela Kuczach, diretora executiva da Rede Pró-Unidades de Conservação, destaca que, embora o Amapá seja um estado com muitas áreas protegidas, muitas dessas árvores gigantes estão fora delas e a exploração comercial do angelim-vermelho é permitida.

Proteção

A campanha “Proteja as Árvores Gigantes”, liderada pelo instituto O Mundo Que Queremos, busca mobilizar a sociedade civil e pressionar as autoridades para a proteção dessas árvores. A nova unidade de conservação, o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), criada em setembro de 2024, abrange 560 hectares de proteção integral, mas ainda assim enfrenta riscos de garimpo, desmatamento e grilagem de terras ao seu redor. A situação é complexa, especialmente considerando que a Floresta Estadual do Paru foi uma das mais impactadas pela destruição de áreas florestais.

Processo

Nilson Pinto, presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor), informa que as ações para implementar o Pagam estão em andamento, incluindo a formação de um Conselho Gestor para elaborar um plano de manejo que garantirá a preservação da unidade. Pinto também assegura que a fiscalização na região é intensa, mas ressalta a dificuldade de acesso às áreas onde as árvores gigantes estão localizadas, o que oferece uma proteção adicional.

Soluções

Ângela Kuczach enfatiza que é necessário avançar nas próximas etapas de proteção e levar a ciência como aliada para novas descobertas que assegurem a preservação das árvores fora da área identificada. A pesquisa de Diego Armando Silva sublinha a importância da criação de um comitê gestor e do plano de manejo, que incluirá estratégias para visitação, educação ambiental e pesquisa.

A Secretaria de Meio Ambiente do Amapá foi contatada, mas não respondeu até a publicação deste texto.

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