Charles Babbage: quem foi o engenheiro “pai do computador”


Santiago Uribe, antropólogo colombiano, participou da segunda edição do “Health Innovation Day” em Itabira, onde compartilhou a experiência de transformar Medellín de uma das cidades mais violentas do mundo em um polo de inovação e criatividade. Nos anos 90, a cidade registrava milhares de homicídios, mas o número caiu drasticamente até 2022. Isso foi possível graças ao urbanismo social, integração entre governo, setor privado e sociedade civil, e a valorização do conhecimento dos cidadãos. O evento organizado pelo Sebrae Minas e Hospital Nossa Senhora das Dores debateu como Itabira pode seguir o exemplo de Medellín visando inovação no setor de saúde.
Transformação de Medellín: Inovação e Criatividade Moldam Futuro da Cidade
Confira a entrevista com o antropólogo:
Quando você percebeu que o urbanismo social seria uma ferramenta para a transformação de Medellín?
Ao reconhecer que problemas como a desigualdade e a segregação socioespacial poderiam ser resolvidos com melhorias nos serviços públicos, infraestrutura, planejamento urbano e arquitetura. Seria necessário levar, também para as periferias, serviços de qualidade. Medellín, por exemplo, tem 26 parques e bibliotecas, todos nas periferias. As melhores bibliotecas da cidade estão localizadas nas periferias, onde jovens, crianças e a comunidade mais vulnerável precisam delas. Há 28 centros de desenvolvimento econômico nas periferias, onde as pessoas mais precisam alcançar o desenvolvimento econômico.
Como a Antropologia contribui para criar cidades inovadoras? E qual o seu papel neste processo de transformação da cidade?
Costumo dizer que a mensagem mais importante que Medellín envia ao mundo é considerar que o cerne da inovação é o conhecimento do cidadão. Ao reconhecer que as cidades são feitas de e por pessoas, compreender suas experiências de vida e como elas interagem com a cidade, é possível extrair informações, dados, insights e conexões emocionais que projetam soluções inovadoras para os desafios da cidade.
Em linhas gerais, o que é o “Case Medellín”?
É um planejamento que envolveu um trabalho conjunto entre os setores privado e público, além de universidades e organizações da sociedade civil. O objetivo era criar uma visão de longo prazo para a cidade, em um diálogo social muito amplo. O ponto de partida para a cidade foi reconhecer que tínhamos um grande desafio, e que seria necessário todos se unirem para encontrar a solução, com resultados a curto, médio e longo prazo.
Entre as mudanças observadas na transformação da cidade, qual a mais marcante?
Realizamos uma pesquisa que entrevistou quase 1,5 mil jovens da cidade, para entender quais questões mais os preocupavam. Na temática sobre Saúde Mental, 87% deles afirmaram que sentiam algum desconforto relacionado ao assunto, mas a maioria não buscava atendimento psicológico em função do preconceito praticado contra quem busca este tipo de local. Diante disso, foi idealizado um projeto maravilhoso chamado “Escutadero”, que envolve a retirada de psicólogos de hospitais e postos de saúde para atender em uma pequena infraestrutura nas ruas, em praças públicas, em estações de metrô. Eles fazem uma pergunta bem simples: “E aí, como vai a vida? Queremos ouvir uns aos outros.” Após vários meses de testes, essa solução mostrou-se muito, muito próxima do cidadão.
Qual o seu conselho para cidades que enfrentam desafios semelhantes?
Coloque as pessoas no centro e, onde houver desigualdade, invista o melhor dos recursos humanos, financeiros e técnicos no desenvolvimento das comunidades mais vulneráveis. Isso é feito por meio de um Plano Urbanístico Integral, com equipamentos culturais, esportivos, educacionais e de saúde.
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